Estamos na semana do Natal. Esta é uma época em que nossos sentimentos estão mais aflorados, há uma comoção que se espalha no ar. Nosso corpo de emoções fica mais sensibilizado, sentimos como se nossas emoções fossem cordas de um violino, às vezes afinadas, outras nem tanto. Existem os que ficam mais nostálgicos, mais introspectivos, mas existem também os que ficam alegres e até eufóricos.
Geralmente, é uma época em que as lembranças se tornam mais presentes e há uma maior tendência aos estados depressivos. Muitas pessoas se entristecem e nem se dão conta dos motivos, que normalmente se encontram em relacionamentos que terminaram, na perda de um ente querido, mesmo que essas situações tenham acontecido há muito tempo.
Isso ocorre porque esses fatos não se resolveram internamente. Muitos de nós carregamos antigos sentimentos e só percebemos a existência destes em datas especiais como o Natal. Tudo isso porque não conseguimos falar a respeito desses sentimentos.
Quantas vezes você sentiu vontade de acabar com aquela desagradável situação criada por uma determinada discussão com um parente querido? Peço que você reflita sobre o quanto vale a pena continuar com uma energia destrutiva em torno de você já que isso faz tão mal.
Não vamos falar de perdão, porque o perdão é muito mais eficiente quando perdoamos a nós mesmos e não aos outros. Os outros são o que são e mudarão apenas a partir de suas próprias consciências - e isso não está sob nosso controle. Você deve perdoar a si mesmo por criar e manter situações que muitas vezes com apenas uma palavra são dissolvidas e esquecidas. Isso é muito mais importante para você do que para o outro, tenha certeza disso.
Refiro-me a situações de estresse com pessoas que temos pouco vínculo ou afinidade. E o que podemos dizer a respeito de situações de intriga com aqueles que amamos? Entre irmãos, pais e filhos, marido e mulher? Se você se encontra em uma situação parecida, peço um minuto de sua atenção e reflexão. Será que vale mesmo a pena continuar a carregar um peso excedente em sua alma?
Quando amamos, podemos até sentir raiva, mas esta é sempre pelo sentimento de rejeição que o outro desencadeou em nós. Porque não livrar-se desse peso que, acredite, foi você mesmo quem o colocou em suas costas. Porque não falar de seus verdadeiros e mais belos sentimentos? Porque não se expor mesmo correndo o risco do outro não entender ou não aceitar o seu amor?
Pare para meditar e faça uma limpeza em sua alma, começando por aparar essas arestas que você mesmo criou. Fale do seu amor a quem você ama. Fale a seus pais, à sua esposa ou marido, a seus filhos o quanto foram e continuarão sendo pessoas fundamentais na construção de sua felicidade durante toda sua vida.
Por que será que as pessoas têm tanto medo de falar de amor? Porque isso é tão difícil? Afinal quais os sentimentos que envolvem essa dificuldade? Normalmente são os piores. Maquiados pela vergonha, encontramos o medo da rejeição, o orgulho, a vaidade, a arrogância, o medo de se expor e de ser julgado como fraco.
No entanto, você já reparou como a raiva ou a indiferença são sentimentos que são expressos com muito mais facilidade que o afeto e o amor? Você já reparou quantas brigas acontecem na época do Natal? Algumas pessoas, infelizmente, ainda possuem formas primitivas de manifestar suas frustrações. E é na época natalina que as frustrações ficam muito mais latentes, pois nossas emoções estão à flor da pele, lembra? Isso é causa de danos quase irreparáveis nas famílias, principalmente nas crianças. Muitos pais, da maneira mais sórdida e egoísta conseguem acabar com o Natal de seus filhos escolhendo essa data, que deveria ser da manifestação mais pura do espírito cristão, para fazer ecoar toda sua infelicidade. Essa atitude demonstra apenas o desamor, o egoísmo e a imaturidade emocional desses pais.
Por isso, fica aqui uma proposta: comprometa-se, nem que isso seja feito apenas nestas duas últimas semanas do ano, a conectar-se ao espírito cristão presente na atmosfera de nosso planeta. Quando você fizer isso, poderá sentir percorrer por todo seu corpo e alma o verdadeiro espírito de Natal que tantos falam, mas tão poucos conhecem. Um ótimo Natal a todos os leitores que me acompanharam durante esses dois anos e a todos os que passam a me conhecer a partir de agora.
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