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Provações
Profecias e profetizações
 
Eunice Ferrari
 
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"O livre arbítrio é a capacidade de fazer com alegria aquilo que eu devo fazer". C.G.Jung

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Desde seus primórdios, nossa humanidade manifesta o desejo, quase inato, acerca do conhecimento do futuro. Nossa vulnerabilidade diante de algumas situações, nossos medos quando somos confrontados com o desconhecido, nos empurram em direção à busca de respostas, que na grande maioria das vezes estão dentro de nós.

Nessa busca angustiante por respostas que possam garantir nossa segurança, desenvolvemos uma religiosidade baseada em sentimentos de culpa, auto flagelo e expiações, comandada por deuses vingativos, egoístas, exclusivistas, carregados de sentimentos de vingança, rancor e rejeição por aqueles que se negarem a seguir seus caminhos.

Estranha religiosidade essa nossa, estranha concepção de divindade! É claro que cada povo tem sua religiosidade e sua visão particular de Deus, mas acredito que seja lícito dizer que todas buscam suas próprias hegemonias.

Todos nós somos impregnados com algumas idéias de fim do mundo, de juízo final, e a cada século que chega ao fim, essas imagens inconscientes afloram à nossa consciência e trazem junto com elas os medos e as crenças no final dos tempos.

As histórias proféticas estão inseridas em toda biografia humana e a profetização é uma forma de prever o futuro, seja ele pessoal ou coletivo. A grande maioria das profetizações vêm carregadas de idéias negativas, terríveis desastres, sempre trazendo o castigo como uma forma de punição a todos nós, pobres seres humanos pecadores.

E essa voz é sempre profetizada a partir da vontade de um Deus punidor, com características humanas. Sob o enfoque da psicologia, a profecia pode ser vista como a manifestação de um lado profundo da psique humana, que está muito além de nosso raciocínio lógico, onde o símbolo é o único elo que se tem com a realidade.

Profetas são pessoas, seres imbuídos de uma capacidade e poder, ainda desconhecido por muitos de nós, de desbravar esse ¿ambiente¿ misterioso que nos habita. São pessoas capazes de, através de um movimento invisível, ressoar, encontrar eco, entrar em contato com um inconsciente que não lhe pertence, seja este pessoal ou coletivo.

Uma das mais antigas artes de adivinhação que temos notícia é a astrologia, praticada desde tempos remotos por grandes sacerdotes. Mas existe também o I Ching, que influenciou a filosofia de Confúcio, o Tarô, que, pelo que nos indica a história se originou no Antigo Egito, e outras inúmeras formas de adivinhação em variadas regiões de nosso planeta.

Quanto aos profetas, podemos citá-los começando na antigüidade por Abraão, Daniel (As profecias de Daniel), João (O livro do Apocalipse), O livro de Enoc. Dentre os mais atuais, Nostradamus com suas profecias, São Malaquias, Jacob Lorber, Ângelo Roncalli, mais conhecido como o Papa João XXIII, que na minha opinião foi o maior papa que a Igreja Católica já teve, arrojado, inovador, com espírito religioso universalista, e fez profecias relacionadas aos anos de 1935 à 2033.

Tivemos também Edgar Cayce, astrólogo, curador, vidente e profeta, sem falar das inúmeras aparições das Virgens, que somente no século XX aconteceram no Japão, na antiga Iugoslávia, na Rússia, África, Espanha, Portugal e EUA.

Mas, afinal, tudo o que é profetizado é imutável? Felizmente nem tudo. Existem alguns destinos que conseguimos transformar e outros que infelizmente não conseguimos. Não conseguimos transformar o que não conhecemos, mas quando conhecemos, quando temos consciência do que e de que maneira deve ser mudado, vale tentar.

Muitas vezes, com a simples mudança de algumas de nossas atitudes, podemos mudar o rumo de acontecimentos negativos esperados através da leitura, por exemplo, de nossos mapas astrais. Trabalhamos pelo melhor por que tememos o pior. E com relação ao destino da humanidade que pertencemos, nosso papel é ainda mais importante e fundamental.

Toda profecia se baseia na previsão de acontecimentos futuros, baseados na leitura do momento presente, sempre contando com a inconsciência e falta de percepção humanas. Num primeiro momento podemos não ter a percepção exata da importância de nosso papel, mas se você parar e refletir perceberá que seu papel é fundamental para a construção de uma realidade mais amorosa em nosso planeta, para nossa humanidade.

A lista de possibilidades destrutivas que possuímos em nossas mãos é quase sem fim. Falta de água potável, poluição, ausência parcial da camada de ozônio, aquecimento planetário, elevação das águas, guerra atômica, 3ª guerra mundial, desequilíbrio ecológico, doenças resistentes a medicamentos. Como disse Isaac Asimov: ¿Escolha sua catástrofe!¿

Quando estudamos mais profundamente a teosofia, e procurando investigar os avanços da ciência e possibilidades humanas e tecnológicas, chegamos à conclusão que o Universo e nosso Planeta ainda possuem muitos milhões de anos de vida, alguns bilhões eu diria.

Se acreditamos em um Deus de pura energia, e que somos uma chispa desse Deus, devemos também acreditar que trazemos em nós todas as possibilidades do Pai, ou seja, o poder de criar e co-criar um mundo concebível, com um conjunto de regras e leis praticáveis baseadas no amor, na lealdade, na ética, na cooperação, na fraternidade, na paz.

Deus não está esperando o momento exato para nos punir por nossos pecados. E se trazemos essa chispa de divindade dentro de nós, podemos começar, dentro de todas as nossas possibilidades humanas, a semear em um campo de terra fértil, que pode ser nosso corpo, nossa casa e nosso trabalho, uma realidade possível, construída a partir da conscientização de que se não mudarmos o rumo de nossas pequenas atitudes, a lei da ação e reação deixará algumas marcas no livro de nossa história e da história de nossos filhos e netos. Determine-se e comece agora a construção dessa nova realidade.
 

Especial para o Terra