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Tudo o que quiseres será realizado
 
Eunice Ferrari
 
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"Quanto mais nos sintonizamos com a paz, mais radiante se torna nossa vida".

Anônimo

Costumo dizer aos meus alunos do curso de meditação que a coisa mais difícil no processo de aprendizado e disciplina é parar para meditar. Com a louca correria de nosso dia a dia, simplesmente não conseguimos parar. Temos a sensação de estar perdendo tempo!

Como disse em matéria anterior, desaprendemos a relaxar. De quantos dias você precisa para começar a relaxar? Você já percebeu que, mesmo quando tiramos férias, demoramos alguns dias para que o organismo comece a responder a uma nova rotina? E que muitas vezes nem mesmo sabemos o que fazer com o tempo que temos disponível?

Quanto mais o tempo passa, mais percebo que precisamos reaprender uma série de coisas que a vida moderna nos roubou. Estamos aprisionados pelo tempo do relógio. Existe um ditado bastante interessante que ilustra muito bem o que estamos tratando nesta matéria: "Ainda que você olhe a todo o momento as azeitonas, elas não amadurecerão mais depressa".

Logicamente não podemos interferir no tempo que experimentamos através do relógio, pois toda nossa sociedade vive e produz baseada nesse tempo. Mas podemos sim, em momentos de descanso, deixar nossos relógios newtonianos de lado e entrar em contato com um tempo esquecido, o tempo interior. Para isso você precisa parar, e principalmente respeitar esse tempo de parada.

O primeiro passo que você deve dar para uma eficaz realização desse aprendizado é saber se você se permite essa parada, ou se você está tão enredado na teia da ansiedade que não consegue nem ao menos permissão interna para parar. Se esse for o seu caso, é melhor procurar um profissional para ajudar você.

O segundo passo é você tentar organizar melhor o seu tempo. Para isso você deve definir claramente quais são as suas prioridades, ou seja, o que há de mais importante em seu dia para se fazer. Depois coloque tudo em um papel, respeitando a ordem de prioridades, e vá resolvendo as tarefas uma após a outra.

Procure disciplinar-se tanto quanto você consiga, tentando superar seus limites de organização dia após dia. Procure ajuda de outras pessoas para a realização de algumas tarefas. Ensine essas pessoas se preciso for para que possam ajudar você em seu dia a dia.

Procure não fazer várias coisas ao mesmo tempo, pois isso causa um desgaste enorme e compromete a administração de seu tempo. Faça tudo com a maior tranquilidade possível, sem correr atrás do tempo feito louco.

Quando se sentir perdido, não faça nada. Pare por um tempo e respire tranqüilamente. Não se atrapalhe, nem se perturbe; não deixe o turbilhão emocional invadir você: ele é um destruidor de tempo.

Perceba qual é o seu limite para a execução das coisas. Quando ultrapassamos esse limite, perdemos o controle. Quando as dificuldades aparecerem em seu caminho, experimente olhá-las como um obstáculo a ser transposto, e se permita experimentar uma nova maneira de enfrentá-las.

Ouse mais, queira mais de você mesmo. Mas não se esqueça: as paradas são necessárias. Quando respiramos, primeiro inspiramos, damos uma pausa para depois expirarmos, e damos outra pausa para retomarmos a inspiração.

Dessa forma você estará criando dentro de você uma possibilidade de pausa, ou seja, um espaço intermediário para que outras coisas aconteçam. E de fato, nesse tempo de parada você pode mudar o foco de muitas coisas. E melhor, estará criando uma nova e mais saudável maneira de viver, reeducando-se e apropriando-se de uma nova forma de se relacionar com o tempo.

Não permita que a rotina te domine. Viva a vida, o dia a dia, com consciência de seu tempo. Agindo dessa forma você certamente terá um tempo maior durante seu dia para você mesmo e assim que tiver um dia inteiro só para você, não perderá seu tempo com bobagens.

Você poderá sentir que tem tempo, poderá proteger o seu tempo, e principalmente respeitá-lo. E aí sim, quando você tiver todo o tempo somente para você, poderá entender a importância da meditação, da contemplação, do silêncio.

Quando abrimos o campo do silêncio, aprendemos e iniciamos uma nova maneira de viver. No campo do silêncio descobrimos um lugar dentro de nós no qual nunca havíamos estado. E nesse lugar, contatamos o indecifrável, o indescritível, o insondável, o imensurável. Como é esse lugar? O Buda nos disse:
"Não meças com palavras o Imensurável,
Nem mergulhes o prumo do pensamento no insondável.
Quem pergunta, erra,
Quem responde, erra,
Nada perguntes".
No campo da meditação e do silêncio, colocamos nosso desejo a caminho da realização e o Universo simplesmente o realiza por nós. Tudo o que desejamos está em estado embrionário nesse lugar, entre o que existe na vida prática e o que existe em um lugar que para nós é como se fosse inexistente. Nesse lugar está toda potencialidade de manifestação. E se seu carma assim o permitir, tudo o que quiseres, será realizado.


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