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"A fé remove montanhas"
Costumo dizer que precisamos Ter fé e não deixar de buscar a felicidade, mesmo estando imersos em situações muitas vezes limítrofes em nossas vidas. Situações de impotência, onde, por mais que tentemos, não encontramos recursos para resolvê-las.
Muitas pessoas me escrevem pedindo uma fórmula mágica para o desenvolvimento de nossa fé, e como sentir-se feliz em meio a problemas tão viscerais e sem nosso controle. A resposta que dou é sempre a de que Tudo Passa. Sempre. A única certeza que temos nesta vida, é a certeza da morte. Não é assim que todos dizem?
Mas qual relação existe entre a fé e esta frase? Aonde quero chegar com essa reflexão?
Se a única certeza que temos na vida é a finalização da mesma, pelo menos a finalização da forma que conhecemos, isso quer dizer que não temos certeza de mais nada, pois na verdade, não sabemos se estaremos vivos nas próximas horas. E se a única certeza que temos é a da morte, por que nos afligimos com acontecimentos que sabemos serem inevitáveis em nossas idas e vindas nesta vida?
Existe muito de ilusão em tudo o que fazemos e desejamos. E certamente, existe a necessidade de controle, de um controle vazio de significado, por que também é ilusório. Podemos ter um certo controle sobre algumas coisas que tornamos conscientes em nossas vidas, mas sobre a grande maioria dos acontecimentos que vivemos, especialmente aqueles mais difíceis de resolver, não temos controle algum.
O que nos garante que nossa história terá um final feliz? O que nos garante que nossa luta não é vã? O que nos garante nossa sobrevivência em meio a tamanha dor? Nada além de nossa fé.
Mas o que é afinal, a fé?
A grande maioria das pessoas não reconhece esse sentimento dentro de si. E é certamente bastante difícil ter fé quando estamos embriagados pela dor. Existem momentos em nossas vidas que não sabemos mais nada, que nada mais faz sentido. E é exatamente nesses momentos que nossa fé é testada. Jesus disse que se tivermos fé, mesmo que ela seja do tamanho de um grão de mostarda, seremos salvos.
Acredito que a fé não deva ser um sentimento vazio, uma projeção de nossos desejos humanos em alguma força que acreditamos. A fé brota num jardim interno que chamo de ¿sentido de si mesmo¿.
O sentido de si mesmo vem carregado da certeza de que fazemos parte de algo maior que nós mesmos, que nós humanos demos o nome de Deus. Sem um sentido de Deus ou da vida maior, não podemos desenvolver a fé, sim por que também a fé é um processo, um exercício de confiança e entrega.
A fé nasce da certeza de que a vida é como uma roda que gira no sentido horário e nunca pára, e a ela estamos atados, nosso destino. Num momento estamos girando em direção ao céu, e em outro em direção ao inferno. Essa é a realidade da vida.
Quando digo que a vida vale a pena, apesar de nossos sofrimentos e dores, é à essa roda que me refiro. Nosso destino é estar atado a ela e cabe a nós sabermos mesmo na subida, que tornaremos a descer. E logicamente e graças a Deus, sabermos que quando estamos descendo, voltaremos a subir, vigorosamente, mais amadurecidos e sábios.
Essa é a lei da vida, e gostando ou não, devemos aceitá-la. Também este ato de aceitação faz parte da fé, da certeza que voltaremos a subir. E que, com essa consciência, a cada subida, nossa fé estará fortalecida.
Devemos, sempre, acreditar que o melhor irá acontecer, mas não devemos perder de vista que o melhor, muitas vezes não é aquilo que nossa infantil personalidade inferior supõe ser. Quase sempre, quando conseguimos sair da negatividade, do sofrimento, da lamúria e da lamentação, e isso tem um tempo para acontecer, podemos enxergar com olhos mais amadurecidos que Deus fez o melhor por nós.
Quantas e quantas vezes não nos deparamos perdidos em pensamentos agradecendo a Deus por não nos deixar seguir um caminho que nos levaria certamente à destruição? Sempre há uma força maior do que nós por trás de todo sofrimento, e é nessa força que devemos acreditar.
Cada um tem um nome adequado a si mesmo para invocar essa força. Você pode chamar de Deus, de Providência Divina, de inconsciente, de Jesus, de Inteligência Divina, de Anjo da Guarda, de Mestre, não importa o nome que você dê a essa entidade ou força.
O que importa é que você sinta que ela existe. O que importa é que você se aperceba de Sua existência e se apegue a Ela com todas as suas forças. O que importa é que você não se sinta só, isolado do ciclo natural da vida, que todos nós, de fato, pertencemos.
Somos todos filhos de um mesmo Deus, com um mesmo destino, com as mesmas dores e os mesmos sofrimentos, as mesmas esperanças e sonhos. Somos todos células desse mesmo corpo chamado Universo e filhos dessa mesma força que chamamos Deus.
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