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"O saber escutar é algo muito importante; mas, em geral, temos inúmeras opiniões, idéias, experiências e conclusões antecipadas, através das quais filtramos tudo o que ouvimos, e por essa razão nunca ouvimos nada de maneira nova". - Krishnamurti -
Penso que nossa sociedade sofre de alguns males que não dizem respeito aos seres humanos em geral, mas apenas à nossa sociedade ocidental. Se algumas questões e problemas, que julgamos insolúveis, não fazem parte do funcionamento natural da mente humana, podemos ter alguma esperança no sentido da auto-transformação e aquisição de uma vida mais plena e feliz.
Volto a insistir que o estado de felicidade está longe de ser um estado de euforia, de plena alegria, e constante satisfação e ausência de problemas. O estado de felicidade é um estado de uma certa placidez e calma interior, que levam a um sentimento de paz e serenidade apesar dos problemas.
Não preciso sorrir todo o tempo para mostrar ou me sentir feliz. Mas devemos trazer à consciência alguns conceitos, ou melhor, preconceitos, que nos impedem de sermos felizes. Costumo dizer em meus cursos de meditação que nossa mente é nosso algoz, nosso carcereiro.
Somos seus prisioneiros e aprisionados pelos seus conceitos, na maioria errôneos, de certo e errado, de bem e de mal, do que é bom e do que é ruim, do adequado e do inadequado, de amor e ódio, e se formos citar, entre todas as polaridades, inerentes às nossas vidas neste lindo e sofrido planeta.
Se pararmos para pensar e refletir mais profundamente, poderemos perceber que todos nós somos originalmente entidades conscientes de Deus, que todos nós temos como origem, uma partícula da Divindade e, portanto, somos originalmente divinos.
Quando falamos em evolução espiritual, estamos usando erroneamente o termo e mesmo nosso processo evolutivo está sendo encarado de forma errada, pois nosso espírito, como chispa de Deus, já se encontra em estado de total evolução.
Na verdade, a evolução se encontra primeiramente na conscientização e em seguida na união da nossa personalidade inferior, ou nosso ego inferior, com nossa alma, ou Ego Superior, ou Eu Superior, como você preferir.
Mas por quê complicamos tanto nossas vidas? Por quê nos aprisionamos tanto em conceitos, na maioria das vezes infundados de como devemos ser, sentir, nos comportar, nos adequar a situações e emoções, que na maioria das vezes apenas nos aprisionam?
Se pensarmos psicologicamente, teremos algumas respostas interessantes. Podemos chegar à conclusão que as vozes parentais ainda nos obrigam a agir desta ou daquela maneira, que a imagem que fazemos de nós foi inteligentemente moldada pelo que essas vozes deixaram gravadas em nossos sentimentos, esculpindo nossas emoções e atitudes, e que o ambiente da infância é o único responsável pelo que nos tornamos hoje.
Se fizermos uma análise astrológica, perceberemos que o mapa astral é de fato o mapa de nosso inconsciente, e mostra, inacreditavelmente, a imagem que temos de nossos pais e ambiente que vivemos em nossa infância, e podemos chegar à conclusão que existe algo inexplicavelmente maior do que nós e que, no momento de nosso nascimento, já trazemos tudo escrito, nosso destino está traçado.
Mas diante de tantos ensinamentos, de tantos conceitos, onde nos encontramos, onde podemos nos colocar com segurança? Onde se encontra a nossa livre vontade, nossa capacidade de decisão e raciocínio, nossa determinação em amar e sermos felizes? O que nos impede a felicidade, afinal? Nossa mente.
Impregnada de sentimentos confusos, de imagens do que é certo e errado, do que sou e do que deveria ser. É nela que estamos aprisionados. Estamos poluídos pela sua natureza material, vivemos naquilo que os orientais chamam Maya, ilusão. Somos iludidos diariamente pelas lindas imagens que a modernidade nos imprime, e deixamos de perceber as imagens que a própria natureza exibe luxuosamente todos os dias.
Esquecemos de silenciar, presos nos barulhos das buzinas e dos gritos que ouvimos diariamente, esquecemos de olhar nos olhos do ser amado, deixando de lado seus defeitos, seus limites, suas dificuldades, como se nós mesmos não tivéssemos as nossas.
Esquecemos de olhar o rosto de nossos filhos, tão preocupados que somos com seus futuros, trabalhamos, trabalhamos e trabalhamos para garantir esse futuro, e não vivemos o momento presente, que é aquilo que temos hoje e não damos nenhum valor. Estamos todos loucos, doentes, neuróticos, e precisamos urgentemente parar!
Pare! Saia do piloto automático. Determine-se a mudar sua vida definitivamente. Pare de responsabilizar seus pais, o destino, seu chefe, seu filho, as dificuldades financeiras, a sociedade, e mude de vida. Comece lentamente, por pequenas coisas.
Comece aprendendo a ser tolerante e paciente com os erros de seus filhos e parceiros. Olhe para os seus erros mais do que os erros dos outros. Transforme sua energia e perceba como tudo ao seu redor começa a mudar. Pare de observar os defeitos e passe a perceber as qualidades do mundo e pessoas ao seu redor.
Apenas observe, saia do automático. Enquanto todos buzinam, respire e olhe para a imensidão azul do céu que todo dia está sobre você. Ao invés de ouvir as tristes notícias diariamente, ouça-as uma vez por semana. Aposto que elas serão as mesmas todos os dias, ouça uma boa música todos os dias.
Ao invés de tomar ¿alguma coisa para relaxar¿, pare, respire e medite. Coloque seus pés em água quente com um bom óleo aromatizado, e convide seu marido ou mulher para uma boa massagem nos pés.
Mude de atitude e pare de reclamar. Pare de falar e aprenda a ouvir. Procure amar, sem esperar a retribuição desse amor. Se dê, sem se preocupar em receber. Viva mais em família, olhe mais a natureza que os anúncios de prazeres milagrosos.
Ouça mais melodias do que más notícias, olhe mais para os olhos do que para os erros. Viva a vida que Deus te presenteou, e faça dela seu recanto, seu aconchego. Aprenda diariamente a paz e a plenitude, mas comece lentamente, e não desanime se falhar, pois o erro e os tombos, diferente do que aprendemos, fazem parte de nosso progresso e evolução.
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